28/03 - Contabilidade na TV


O aumento de tributos num momento de tentativa de retomada do crescimento será nocivo para a economia, disse ontem (27) o presidente da Federação da Indústria do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf. Ele reuniu-se no fim da tarde com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, para sugerir medidas que possam compensar o aumento de tributos. O anúncio do governo deve ser feito na próxima quarta-feira (29).

“Fui tentar demonstrar ao ministro a importância de um momento como esse, em que os empresários estão se esforçando para retomar o crescimento do país. Seria nocivo, contraditório e muito ruim aumentar impostos. No Brasil, já existe uma alta carga tributária”, declarou Skaf ao sair do encontro.

De acordo com Skaf, num momento em que as empresas, não apenas a indústria, estão debilitadas, com o desemprego ainda alto, um eventual aumento de tributos põe em risco a recuperação da economia. “O desemprego está muito grande. Temos 12 milhões de desempregados. Nossa grande luta é buscar retomar o crescimento. Um aumento [de tributos] seria ir na contramão do curso”, acrescentou.

Como alternativa para o aumento tributário para cobrir o rombo de R$ 58,2 bilhões do Orçamento deste ano, Skaf sugeriu intensificar o contingenciamento (bloqueio de verbas de gastos não obrigatórios). “Ao longo do ano, as coisas podem melhorar, e a arrecadação aumentar”, explicou. O presidente da Fiesp também sugeriu a venda de controles acionários de empresas estatais e lembrou que a arrecadação será ajudada pelo leilão de concessão de hidrelétricas que voltarão ao controle da União.

Segundo Skaf, o ministro ouviu atentamente as sugestões, mas não deu respostas. “Agora, a decisão é do governo e nós, como sociedade, vamos ficar na expectativa de que o bom senso impere e que o governo encontre alternativas para resolver essa questão desses quase R$ 60 bilhões que surgiram de déficit.”

Em relação à reversão da desoneração da folha de pagamento, que pode ser anunciada por Meirelles nesta semana, Skaf disse que a Fiesp não entende a medida como aumento ou criação de imposto. “Essa área não é criação de imposto. É um ajuste no sentido de onde tem opção [de pagar a contribuição para a Previdência pelo faturamento], deixar de ter opção. Aliás, uma opção que nem todos os setores [da economia] têm. Isso é diferente de criar imposto e aumentar alíquota”, comentou.

Edição: Luana Lourenço

Por: Wellton Máximo - Repórter da Agência Brasil

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