29/05 - Contabilidade na TV


Uma fatia de bolo grande e nada doce. É o que o contribuinte sente no bolso ano após ano quando transfere para o Estado boa parte dos seus ganhos anuais. E foi fazendo alusão a um bolo, daqueles de casamento, que o Sindicato das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações, Pesquisas e de Serviços Contábeis de Londrina e Região (SESCAP-LDR), organizador do II Bolo Tributário em parceria com Sincoval, Fecomércio, PUC e Sesi, montou ontem no calçadão o confeito com três andares. Cada camada representando um percentual e um destino: 57% federal, 25% estadual e 18% municipal. 

Na tenda informativa foram distribuídos pedaços de bolo de verdade, além, é claro, de informação para conscientizar. O presidente do SESCAP-LDR, Jaime Cardozo, salientou a importância do evento para esclarecer a população do quanto cada cidadão paga de impostos no momento da compra de cada produto. Isso, reitera, "conscientiza-o a exigir dos administradores públicos a utilização e aplicação consciente dos recursos públicos, além de provocar o interesse pelo acompanhamento e fiscalização destes nossos representantes". 

Eric Linhares, estudante do primeiro ano de ciências contábeis da PUC Londrina, distribuiu panfletos e orientou a população durante o evento. "A ideia aqui não é estimular o consumo, mas sim conscientizar todo mundo". 

Corrupção e má gestão 
A forma didática de mostrar quanto se paga de tributo chamou a atenção de muita gente. Curiosa, a professora universitária Ana Cláudia Duarte Pinheiro, que coincidentemente é especialista em finanças públicas, resolveu interromper o passeio com os cachorros pra se informar mais a respeito. "A ideia do tributo é muito boa, porque divide uma despesa que o cidadão não teria condições de suportar. Por outro lado a gente sente o peso disso. A má gestão e a corrupção somados à falta de conhecimento das pessoas nos levam a viver o que estamos vivendo hoje", argumentou ela, referindo-se à atual crise política e econômica do País e indo embora com um punhado de informativos pra entregar aos amigos e alunos. 

Roberto Martins, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Londrina e Região (Sincoval), uma das entidades apoiadoras do II Bolo Tributário, também frisou o atual momento pelo qual passa o Brasil para criticar a arrecadação de "1º mundo" e o retorno de "3º mundo" que tem-se na forma de políticas públicas ineficientes e corrompidas. 

De acordo com uma pesquisa do IBPT, IBRE e Fundação Getúlio Vargas(FGV), no Brasil não há retorno adequado do imposto por diversos fatores, como ineficiência e despesas públicas elevadas. "Essa é uma forma de nós, enquanto sindicato, prestar um serviço à população. As pessoas precisam se informar, saber o quanto contribui para o desenvolvimento do País e, por isso, cobrar. É uma carga altíssima", ressalta Martins. 

De fato a arrecadação é alta e neste exato momento, segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), o cidadão contribuinte ainda está trabalhando para pagar os impostos de 2017 e vai fazer isso, pelo menos, até junho, por volta do 150º dia deste ano. Uma pessoa com expectativa de vida de 72 anos trabalhará 32 anos somente para pagar tributos. 

A professora Ana Cláudia considera "importante que os maiores impostos sejam de cigarros e bebidas alcoólicas, por exemplo, pois além de não ser algo de necessidade de uma pessoa, afeta diretamente a saúde pública". Mas não são apenas produtos considerados supérfluos que estão sujeitos aos impostos. Os de necessidades básicas também não escapam: água (37,88%), pão francês (16,86%), sabão em pó (40,80%), carne bovina (23,99%), lâmpada (37,84%), pasta de dente (31,37%), entre outros. "O atual momento em que vivemos é o ideal para destacar a importância do envolvimento das pessoas no processo de mudança", finaliza o presidente do SESCAP-LDR.

Por Folha de Londrina / Sescap-Ldr

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