07/05 - Contabilidade na TV

Os investimentos das empresas brasileiras no exterior dobraram entre 2000 e 2015. O estoque passou de US$ 140 bilhões para US$ 283 bilhões. Mas esta evolução esconde as oscilações dos investimentos no período. Enquanto as principais economias emergentes apresentaram crescimento regular entre 10% e 15%, os estoques brasileiros no exterior chegam a apresentar crescimento de 31% num ano e queda de 4% em outro. A volatilidade ocorre porque algumas políticas no Brasil desestimulam a internacionalização. A análise faz parte a Agenda Internacional da Indústria 2017, documento elaborado pela CNI e lançado no fim de abril.

"O Brasil precisa de uma política mais consistente que envolva os diversos órgãos do governo e a iniciativa privada. É necessário coordenar de forma mais produtiva as iniciativas e as ações públicas que existem hoje. Ainda falta entender com clareza que investir no exterior faz bem para a economia brasileira: a indústria consegue ganhar novos mercados para suas exportações, acessar tecnologias novas, aumentar sua produtividade e gerar mais emprego e renda”, diz o diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Carlos Abijaodi.


A professora e pesquisadora do Núcleo de Estratégia e Negócios Internacionais da Fundação Dom Cabral Lívia Barakat verificou um aumento na internacionalização das empresas brasileiras nos últimos dez anos. Segundo a pesquisadora, a instabilidade recente da economia brasileira e a crise política contribuíram para que as empresas buscassem outros mercados. 

Em 2006, o índice médio de internacionalização das multinacionais brasileiras era de 16%. Este percentual subiu de forma contínua e alcançou 26% no ano passado. Em seu levantamento, a Fundação Dom Cabral entrevistou 50 multinacionais e 14 companhias que atuam no exterior por meio de franquias em 2016. 

Barakat explica que a empresa não faz uma escolha entre investir no Brasil e investir no exterior. “A empresa investe lá fora para se fortalecer. Em muitos casos, quando ela se concentra só no mercado interno, acaba perdendo força e mercado para uma estrangeira. Vimos empresas que foram perdendo market share até fecharem as portas”, diz a pesquisadora. 

Em 2016, a Fundação Dom Cabral observou outro fenômeno. Foi a primeira vez que as empresas se mostraram mais satisfeitas com o desempenho no exterior do que no Brasil nos itens vendas, crescimento de vendas, market share e lucratividade. No índice que varia de 0 a 5, a lucratividade no exterior recebeu nota 4,2, enquanto no Brasil ficou em 2,9.

EXPERIÊNCIA INTERNACIONAL – A Iochpe Maxion, fabricante de autopeças e equipamentos ferroviários, é considerada uma das empresas mais internacionalizadas do Brasil. Fundada em 1918, começou o processo de implementação das unidades produtivas no exterior em 2002 como parte estratégica de crescimento da empresa. Naquele momento, o mercado doméstico já se mostrava limitado e as exportações haviam alcançado seu patamar máximo. Mas outro fator acabou pressionando a empresa.

As montadoras buscam adensar as cadeias produtivas nos países em que produzem para se aproximar de fornecedores e se adequar às exigências dos governos locais. Neste cenário, a Iochpe viu a abertura de novas unidades no exterior como uma forma de preservar seus mercados, além de poder acessar novos consumidores. Atualmente, a empresa tem unidades na África do Sul, Alemanha, Argentina, China, Espanha, Estados Unidos, Índia, Itália, México, República Checa, Tailândia, Turquia e Uruguai, que respondem por cerca de 60% das vendas da empresa.

Segundo o presidente do Conselho de Administração da Iochpe Maxion, Dan Iochpe, há duas questões essenciais para a internacionalização das empresas brasileiras. “Primeiro, ter acesso a novos mercados. O Brasil é um país relevante, mas as exportações têm limites, por isso o estabelecimento no exterior é muito importante. O segundo é aumentar a competitividade. Quando se expõe ao mercado externo, as empresas passam a compreender os requerimentos e a dinâmica competitiva para sobreviver”, disse Dan Iochpe em entrevista à Agência CNI de Notícias.

PRIORIDADES PARA 2017 – Dentro das políticas públicas necessárias para reduzir os obstáculos que as empresas enfrentam para se tornar e se manter multinacionais brasileiras, a CNI avalia que é importante alterar alguns aspectos da tributação dos lucros no exterior. Na Agenda Internacional da Indústria 2017, a entidade propõe regulamentar a Lei 12.973/2014, para incluir empresas controladas do setor de serviços no critério de crédito presumido e dar mais clareza sobre as regras de consolidação de resultados no exterior e compensação de prejuízos.

A CNI defende ainda uma melhoria no modelo brasileiro de Acordos para Evitar Dupla Tributação (ADTs), em temas como tratramento de serviços e royalties, e a ampliação da rede brasileira de ADTs e assinatura destes acordos prioritariamente com Estados Unidos, Colômbia, Reino Unido, Alemanha, Austrália, Uruguai, Paraguai e Suíça. No momento, a indústria aguarda a aprovação no Congresso Nacional do acordo com a Rússia, assinado em 2007.

Além disso, há propostas para reformular a legislação que trata dos expatriados; alterar a legislação de preços de transferência; eliminar o IOF na operação de aquisição e empréstimo intercompany; celebrar acordos de investimento entre os membros do Mercosul e com países da África, América Latina, Japão, além dos outros BRICS (Rússia, Índia, China e África do Sul); e firmar acordos previdenciários com África do Sul, Angola, Áustria, China, Colômbia, Egito, Emirados Árabes Unidos, Índia, México, Holanda, Panamá, República Dominicana e Venezuela.

BRASIL INTERNACIONAL - Na próxima terça-feira (9), confira no terceiro capítulo da série Brasil Internacional uma reportagem sobre as dificuldades logísticas enfrentadas pelas empresas brasileiras no comércio exterior.

Por Adriana Nicacio
Da Agência CNI de Notícias

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