07/05 - Contabilidade na TV

Foto: Helcio Nagamine/Fiesp
Para os europeus, só falta o Mercosul. Com o objetivo de estimular a cooperação com o velho continente, foi realizado, na manhã de sexta-feira (05/05), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, na capital, o seminário Semana da União Europeia no Brasil: um olhar para o futuro. O evento reuniu autoridades nacionais e estrangeiras, incluindo o ministro das Relações Exteriores do país, Aloysio Nunes, e o presidente da Fiesp, Paulo Skaf.

“A Fiesp apoia a isonomia, a competitividade e a inovação”, disse Skaf. “Sempre tivemos uma posição favorável a um acordo com a União Europeia”.

Para ele, é preciso buscar o equilíbrio nas negociações. “Temos que ter muitas trocas de inovação e tecnologia”, afirmou. “A palavra-chave é adaptação”.

Segundo Nunes, não se trata apenas de firmar um acordo comercial com a Europa. “Visamos um acordo de associação que englobe outros elementos relevantes, como o intercâmbio entre as nossas universidades, por exemplo”.

Conforme o ministro, há uma tendência de muitos governos de colocar os seus países em primeiro lugar, acreditando que “as regras de cooperação internacional só são boas se me favorecerem”. “Estamos trabalhando em acordo de associação diferente, de acolhida e respeito aos direitos humanos e à democracia”, disse. “E isso com segurança jurídica”.

Chefe da Delegação da União Europeia no Brasil, João Gomes Cravinho destacou que ‘São Paulo é o motor da economia do Brasil e da América Latina”, sendo um estado que trabalha “em nome da integração”.

Além das questões de natureza econômica, na opinião de Cravinho é preciso “sublinhar pontos políticos”. “O livre comércio não deve ser visto como algo nocivo”, afirmou. “Temos perspectivas de assinar acordos com Austrália, Coreia do Sul e Canadá, entre outros mercados”, explicou. “O grande bloco que falta é o Mercosul”.

Diretor titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp, Thomaz Zanotto destacou que a federação publicou, em 2013, um documento chamado Agenda de Integração Externa. “O comércio exterior voltou a ser um pilar central da recuperação da economia brasileira”, disse.

O fator Suécia
Chefe da Divisão de Negociações Comerciais com a Europa e a América do Norte do Itamaraty, Paula Aguiar Barbosa foi uma das participantes do primeiro painel de debates do seminário. “Estamos negociando pontos importantes, como as regras de origem”, disse. “É preciso que haja flexibilidade das partes: o Mercosul tem 26 anos, para 60 anos de União Europeia”.

Segundo ela, o atual acordo com a região “é o primeiro em que vamos negociar propriedade intelectual”. “Vamos levar em conta pontos como o desenvolvimento sustentável e o papel das pequenas e médias empresas no comércio exterior”.

Nesse processo, a participação da indústria é fundamental. “Para o governo, ter esse retorno do setor é muito importante para saber o que deu certo”, explicou Paula.

Presidente da Eurocâmaras no Brasil, Nils Grastrom destacou o fato de que a Europa responde por 20% do fluxo da balança comercial brasileira, segundo dados de 2016.

“Defendemos pontos como a livre circulação de profissionais e a redução de políticas de conteúdo local principalmente no campo das políticas energéticas”, explicou. “Nosso foco deve estar na inovação, na transferência de tecnologia e na inovação, com mais cooperação entre escritórios de patente brasileiros e europeus”.

Para Grastrom, a explicação para que um país pequeno, como a Suécia, de onde ele vem, tenha criado empresas globais como Volvo, ABB, Skype e Spotify, é simples. “Temos um mercado completamente livre, que gera competitividade e inovação”, resumiu.

Por Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

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