02/06 - Paulo Eduardo Monteiro Vieira especial para a Gazeta do Povo


Não é pouco dinheiro. Se colocado em malas como a transportada pelo deputado Rocha Loures (PMDB-PR), gravado em uma ação controlada pela Polícia Federal, daria para encher 2.800 delas. Ao longo dos últimos anos, a JBS confirmou o pagamento de R$ 1,4 bilhão em propinas, dinheiro que saiu do caixa da empresa para bancar políticos dos mais diversos escalões, estados e correntes ideológicas. Uma prática tão democrática que chegou a financiar o deputado Eduardo Cunha, que comandou o processo de impeachment da presidente Dilma, e ao mesmo tempo deputados para votar contra esse mesmo processo. 

Tanto dinheiro assim não deveria passar batido pelos órgãos de controle. Sobretudo se considerarmos que a JBS é uma empresa de capital aberto com ações na bolsa. Algo bem diferente da Odebrecht, que por ser uma empresa de capital fechado não precisa prestar contas com auditorias independentes das suas movimentações e muito menos seguir padrões de compliance (conformidade com leis e regras internas e externas) rigorosos. Afinal, o dinheiro da JBS não pertence só aos irmãos Batista. Joesley e Wesley são sócios de milhares de pequenos investidores (29,41% da empresa), da Caixa Econômica Federal (4,92%) e de todos os brasileiros via recursos do tesouro que fomentam o BNDES (21,32%). 

Como forma de proteger os investidores, uma série de exigências é posta às empresas nesse mercado. Uma delas é a escolha de auditoria independente. Uma empresa contratada pela companhia interessada em abrir capital e que deve usufruir de liberdade para escrutinar a contabilidade e as práticas do negócio. 


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