13/06 - Equipe Gazeta do Povo


O acesso a dados sigilosos em poder do INSS tem permitido que corretoras de bancos procurem aposentados para oferecer empréstimos consignados antes mesmo que eles recebam a primeira parcela da aposentadoria. Há casos em que os segurados ainda nem sabem da aprovação do benefício. Mailings (listas) com o cadastro completo dos beneficiários circulam pelas corretoras, que disputam um mercado anual de R$ 100 bilhões. O crédito consignado foi uma das causas da inadimplência de 7,5 milhões de pessoas com mais de 60 anos no país no ano passado.

Relatos feitos à Gazeta do Povo por funcionários de corretoras e empresas de software que produzem ou compram mailings mostram como são produzidas as listas que trazem o nome, CPF, endereço, telefone, número e valor do benefício do segurado. Empresas usam brechas de segurança ou compram informações, num mercado negro de dados, segundo apontam depoimentos gravados pela reportagem durante quatro meses.

As primeiras informações sobre a ação dessas corretoras surgiram ocasionalmente, em consequência da aprovação de minha aposentadoria. O INSS informou que a confirmação do benefício, com o valor e a data do recebimento, seria feita pelos Correios num prazo de 20 dias. Cerca de dez dias após a audiência, chegaram as primeiras ligações. “Bom dia, senhor! Parabéns, a sua aposentadoria foi aprovada! E, olha que legal, o senhor já tem aprovado um crédito consignado de R$ 41 mil”.
As ligações seguintes – mais de uma dúzia – foram gravadas. Após ouvir as propostas, eu perguntava como o corretor havia chegado ao meu cadastro, já que eu não sabia nem mesmo quanto receberia no início do mês seguinte. Um deles afirmou que os dados dos aposentados haviam sido publicados no Diário Oficial – prática que foi negada pela Ouvidoria do INSS. A maioria dizia que os cadastros eram oferecidos pelos bancos que faziam os empréstimos – fato negado pelos bancos ouvidos. Passei a marcar audiências nas corretoras.


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