28/06 – Contabilidade na TV


Destaque no cenário nacional quando o assunto é sistema de garantia, as seis Sociedades Garantidoras de Crédito (SGC) do Paraná atingiram a marca de R$ 100 milhões de garantias concedidas a micro e pequenas empresas do estado, nos últimos seis anos. Atualmente, mais da metade das operações brasileiras ocorrem no Paraná, onde as SGC abrangem 191 dos 399 municípios.

Somente de abril a setembro do ano passado, as garantias resultaram em uma economia de R$ 4 milhões para os pequenos negócios paranaenses, em redução de juros pagos. Enquanto o mercado de crédito para pessoa jurídica caiu 1,7% nos últimos 12 meses, segundo boletim do Banco Central, as SGC cresceram no período e devem continuar avançando. Foi um aumento de 82% no volume de garantias concedidas no ano passado, e de 93% nos financiamentos.

“Fizemos um comparativo de todas as operações realizadas de abril a setembro de 2016: se a empresa tivesse buscado o crédito sem uma SGC, primeiro que não sabemos se teria conseguido, porque foi um ano difícil, mas, se conseguisse, pagaria mais caro, com certeza. Enquanto os bancos comerciais reduzem seu saldo de operações para micro e pequenos, nossos projetos atingiram a marca e continuam avançando no tocante a crédito”, comemora coordenador de Acesso a Serviços Financeiros do Sebrae no Paraná, Flávio Locatelli Junior.

Enquanto em outros estados as iniciativas das SGC são pontuais, Locatelli ressalta que no Paraná a estratégia é melhoria no ambiente de negócios. Como a falta de garantias é um dos principais problemas – cerca de 40% dos financiamentos são negados por esse motivo –, as ações envolvem criar mecanismos para possibilitar esse acesso ao empreendedor. “Um dos pontos na melhoria do ambiente de negócios no estado é o acesso a crédito. A SGC, portanto, faz essa aproximação entre o sistema financeiro e as pequenas empresas. Ter esse olhar no pequeno, entender as demandas deles, é o que nos faz continuar crescendo”, afirma Locatelli.

O diretor-superintendente do Sebrae no estado, Vitor Roberto Tioqueta, destaca que o grande diferencial das SGC para os fundos de aval existentes no mercado é o foco no crédito orientado, viabilizado por meio de parcerias entre Sebrae, entidades empresariais e instituições financeiras. Antes da concessão da garantia, o empreendedor passa por consultorias e capacitações do Sebrae no Paraná, é orientado e recebe uma visita pré-crédito.

“Como existe essa consultoria para ajustar controles financeiros, a inadimplência também é mais controlada. Assim, cria-se vínculo com o empresário que não é atendido por instituições normais. O grande diferencial é o entendimento da demanda do empresário, onde será aplicado o recurso, qual o valor necessário, tudo identificado nas consultorias”, completa Tioqueta.

Vice-presidente da Garantioeste, primeira SGC a entrar em operação no Paraná, Augusto Sperotto recorda que a atuação das garantidoras traz vantagens para todos os envolvidos. “Os bancos começaram a perceber que o nível de inadimplência é menor com as garantias. Então, o desafio agora é intensificar o nosso trabalho, nos qualificarmos, para podermos, cada vez mais, negociar taxas de juros ainda menores para nossos clientes”, pontua.

Experiência
O apoio da Garantioeste foi fundamental para Geovane Chieza, que tem uma empresa de decoração em Toledo, no oeste do estado, obter capital de giro junto à uma cooperativa de crédito. “Nós somos clientes dessa cooperativa, mas eu até comentei com o gerente que não é tão fácil obter crédito. Eles vão vendo se você não tem bens imóveis e vão cortando, calculam todas as possibilidades de o empresário ter um problema e não conseguir pagar. Com a garantidora, o processo é facilitado”, afirma.

Na terceira operação com a SGC, duas delas já quitadas, ele conta que a Garantioeste cuidou de toda a documentação necessária para a liberação do crédito. “O interessante é que você chega querendo um valor, aí eles te ajudam a calcular, fazem um levantamento do que você realmente pode, levando em conta o faturamento. Essa orientação é bem importante”, ressalta.

As SGCs
Importadas da Europa, onde estão consolidadas, as SGC ganharam projeção no Brasil há pouco mais de oito anos e foram articuladas pelo Sebrae como forma de conceder apoio aos pequenos negócios que não possuem garantias para oferecer às instituições de crédito. O modelo foi previsto pela primeira vez na Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, de 2006. Uma SGC é uma empresa com filosofia focada no associativismo, ou seja, constituída por empresários ou entidades.

No Paraná, estado com maior número de SGC, o sucesso se deve a parcerias com entidades e cooperativas de crédito, como Faciap, Sicoob, Sicredi e Cresol, e instituições financeiras de desenvolvimento, como a Fomento Paraná e o BRDE. “O Sebrae é o fomentador, um grande apoiador técnico, de know-how”, detalha Locatelli.

Por Agência Sebrae de Notícias

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