14/07 - Contabilidade na TV


A possibilidade de responder objetivamente por atos ilícitos de funcionários, prevista por marcos legais como a Lei Anticorrupção e a Lei das Estatais, tem feito crescer no Brasil o interesse por uma análise mais criteriosa do histórico profissional de candidatos a cargos estratégicos.

Conhecida também por background check, a prática consiste em uma pesquisa para identificar riscos associados a um potencial colaborador antes de sua contratação. “Para reduzir vulnerabilidades e futuras ameaças reputacionais, empresas e gestores buscam cada vez mais decisões apoiadas em fatos e informações objetivas”, afirma Carlos Lopes, diretor da Kroll no Brasil, consultoria em gestão de riscos que presta o serviço globalmente e viu sua demanda crescer em 20% este ano no país. 

Diferente de outros trabalhos consultivos para suporte à área de Recursos Humanos, que cobrem avaliações técnicas, comportamentais e relacionais, além de incluir um pente fino em opiniões e posições emitidas em redes de relacionamento digital, o background check se distancia da subjetividade e não aprova postulantes a vagas do mercado. “O trabalho é coletar dados e reportá-los ao cliente. Não há recomendação nem indicação em nosso relatório”, explica Lopes. 

O levantamento normalmente contempla biografia, litígios e ações disciplinares ou administrativas, associações pessoais e empresariais sensíveis, além de conexões político-partidárias. Tudo feito a partir de dados públicos, comerciais e por meio de entrevistas com fontes.

De acordo com Lopes, a profundidade da análise é condicionada às responsabilidades do cargo, mas as principais preocupações são a verificação do histórico profissional – checagem quanto à veracidade de experiências e qualificações apresentadas no currículo –, a existência de multas e sanções por atividades antiéticas, situações que envolvam conflitos de interesse, como a participação no quadro societário de outras companhias, e ligações políticas, o que pode sinalizar chances de corrupção. 

Segundo o executivo, no Brasil prevalece o background check para níveis no topo da estrutura organizacional, como de direção para cima, mas crescem os pedidos que ampliam o escopo para posições gerenciais e de médio escalão que sejam críticas, alinhando o país à prática de companhias em mercados mais regulados e maduros em termos de governança.

A tendência se justifica. Pesquisa anual feita pela Kroll com executivos de diferentes setores revela que, por aqui, funcionários juniores e temporários foram juntos responsáveis por 48% das fraudes identificadas nos últimos 12 meses. O alto escalão respondeu por 9% das indicações. “Mas embora inferior, o impacto de ilícitos nessa faixa costuma ser muito maior, principalmente o reputacional”, comenta Lopes. 

Por Kroll / Fundamento RP

Use o APP do Contabilidade na TV e mantenha-se informado!

0 comentários:

Postar um comentário