07/08 - Contabilidade na TV


A procura por crédito dos varejistas junto ao atacado cresceu 5,5% no primeiro semestre de 2017, em relação ao mesmo período do ano passado. Para se ter uma ideia, a demanda geral das empresas por crédito caiu 4,5% no primeiro semestre de 2017, em comparação com o primeiro semestre do ano passado. Na comparação do ano de 2016 com 2015, o setor atacadista enfrentou o recuo de 13,8% da demanda, representada pela procura de crédito feita pelo varejista brasileiro. Os dados foram apresentados hoje, com exclusividade, no maior encontro da cadeia de abastecimento, realizado pela ABAD – Associação Brasileira dos Atacadistas e Distribuidores de Produtos Industrializados.

Para o vice-presidente de Pessoa Jurídica da Serasa Experian, Victor Loyola, diante da retração geral da demanda empresarial por crédito, ainda decorrente do desempenho da economia - com vendas e produção estagnadas e consequente diminuição na necessidade de capital de giro para a produção - os números captados pelo atacado podem ser comemorados. “O crescimento da demanda do setor sinaliza que a necessidade de abastecimento do varejo, principal cliente do atacado, está sendo retomada, com expectativa de melhoria no faturamento, volume e rentabilidade dos agentes de distribuição”, diz Loyola.

Entre as regiões do país, a Centro-Oeste foi a que mais evidenciou essa retomada, com crescimento de 27,4% no primeiro semestre de 2017, em relação ao primeiro semestre de 2016. Na comparação 2016 com 2015 registrou-se retração de 1,9% naquela região. No Sul o aumento da demanda foi de 11,1% no primeiro semestre de 2017. A região havia apresentado desempenho negativo de 13,6% em 2016. “O desempenho de ambas as regiões pode ser atribuído à atividade agrícola, incrementada nos últimos meses em alguns estados produtores”, diz Loyola.

O Sudeste, responsável por metade da demanda por crédito dos varejistas junto ao atacado, também avançou 1,5% no primeiro semestre de 2017 sobre o mesmo período do ano anterior. Entre os anos de 2015 e 2016, a demanda por crédito na região foi 15,6% negativa.

No Nordeste, o aumento ficou em 1,4% na comparação semestral 2016/2017. Já na comparação 2015/2016, a demanda por crédito havia ficado no vermelho, em 16,1%. A região Norte foi a única que manteve o desempenho negativo no primeiro semestre de 2017, com 4,8% de retração. Entre 2015 e 2016 a queda ficou em 8,8%.

Estados
Os Estados de Goiás (48,6%) e Mato Grosso (31,6%) apresentaram as maiores expansões na demanda por crédito no primeiro semestre de 2017. “O incremento da renda local, devido o avanço da agropecuária, é um dos fatores que impulsionaram o aumento mais significativo nesses estados”, diz Loyola.

Já na contramão da recuperação da demanda nacional, os estados de Rondônia (-39,0%), Amapá (-36,2%), Maranhão (-23,4%), Acre (-19,0%), Piauí (-18,9%), Minas Gerais (-8,9%), Pernambuco (-8,6%) e Amazonas (-0,2%) retrocederam na busca por crédito nos primeiros seis meses deste ano.

Confira a tabela completa:

Cenário mais otimista
Com a queda da inflação, gerando maior poder de compra dos consumidores de baixa renda, o varejo reativou sua demanda junto a seus fornecedores e, consequentemente, possibilitou o pagamento de dívidas em atraso. A inadimplência varejista recuou 7,2% entre janeiro e junho de 2017 em relação a igual período do ano passado. A queda foi mais expressiva que o recuo da inadimplência da economia em geral, de 6,4%. Em relação às regiões, a inadimplência do varejo registrou queda no período em todas: -5,3% no Sudeste, -11,2% no Sul, -10,3% no Nordeste, -1,1% no Norte e – 10,8% no Centro-Oeste.

Risco de inadimplência do Atacado
Mesmo com a recuperação da atividade, o cenário de inadimplência e risco de não pagar as contas em dia continua crítico para os atacadistas. O percentual de empresas do atacado inadimplentes subiu de 14,3%, em junho/2016, para 19,2% em junho/2017. Os atacadistas com alta probabilidade de inadimplência nos próximos seis meses representavam 27,2% em junho de 2016 e passou para 26,7% em junho de 2017. Veja abaixo a tabela completa com percentuais de todos os grupos.


“O crescimento interanual do grupo de atacadistas em situação de inadimplência ganhou espaço sobre as demais categorias de risco. Um semestre de recuperação moderada não foi suficiente para reverter todo o impacto gerado na cadeia de abastecimento ao longo dos últimos dois anos de crise no consumo doméstico”, diz Loyola.

Segundo dados da ABAD, 53,7% do consumo nacional é abastecido diretamente pelo Atacado. “O setor é um forte termômetro da situação econômica do país porque reflete o consumo da população, penalizada no último ano pelo desemprego e pelo processo inflacionário. Quando a restrição do consumo da população, que num momento de crise, compra somente o necessário e procura marcas secundárias mais baratas, chegou no pequeno varejo, acabou impactando a cadeia de abastecimento em geral”, ressalta o vice-presidente.

Situação do risco nas regiões
A região Centro-Oeste concentra o maior crescimento interanual no grupo de empresas atacadistas em situação de inadimplência, com alta de 6,4 p.p. na comparação de junho 2016 x junho 2017. Em seguida, está o Nordeste, com evolução de 6,0% no mesmo grupo. Depois, aparecem a Norte, que subiu 5,6%, e a Sudeste e Sul, ambas com crescimento de 4,7%.


METODOLOGIA:

Demanda por Crédito
O Indicador Serasa Experian da Demanda das Empresas por Crédito é construído a partir de uma amostra significativa de cerca de 1,2 milhão de CNPJ consultados mensalmente na base de dados da Serasa Experian. A quantidade de CNPJ consultados, especificamente nas transações que configuram alguma relação creditícia entre as empresas e as instituições do sistema financeiro ou empresas não financeiras, é transformada em número índice (média de 2008 = 100). O indicador é segmentado por região geográfica, setor e porte.

Inadimplência
O Indicador Serasa Experian de Inadimplência das Empresas, por analisar eventos ocorridos em todo o Brasil, reflete o comportamento da inadimplência em âmbito nacional. O indicador considera as variações registradas no número de cheques sem fundos, títulos protestados e dívidas vencidas com instituições bancárias e não bancárias.

Score
O peso de cada informação do Serasa Score é definido de acordo com um estudo do comportamento histórico de grupos de empresas com o anonimato preservado. Esses grupos são compostos por características financeiras parecidas. Desse modo, estatisticamente, é possível comparar os resultados obtidos por setor específico com os demais para o cálculo do Serasa Score.

A pontuação vai até 1.000 pontos: de 01 até 400 pontos há alto risco de inadimplência; médio risco entre 401 e 700 e baixo risco para quem acumula pontuação acima de 700 pontos.

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