03/08 - Contabilidade na TV

Foto: Helcio Nagamine/Fiesp
O IV Seminário Finanças e Financiamento, realizado pela Fiesp na quarta-feira (2 de agosto) teve entre seus painéis o de tema Acessando Financiamento e Novos Canais de Comunicação. Nele, Ricardo Luis de Souza Ramos, diretor da Área de Administração e Recursos Humanos, Área de Comércio Exterior e Fundos Garantidores e da Área de Operações Indiretas do BNDES, frisou o compromisso do banco em desburocratizar processos, conhecer melhor o segmento de pequenas e médias empresas e lhes oferecer crédito. Apoio a PME é 40% do BNDES hoje, disse, mas “é complexo o problema do crédito à PME, e o BNDES sozinho não conseguirá resolvê-lo”.

Disse que já se materializaram algumas das novidades do BNDES. O banco, afirmou, melhorou seus processos “tremendamente”, em especial no segmento agrícola, que responde por 25% do total de crédito. A aprovação é automática –antes demorava de 15 a 60 dias. No agrícola agora leva 7 segundos. Em 8 ou 9 meses será assim para todo o sistema, afirmou.

As linhas do Progeren vão aumentar, disse. “Vamos estender para aprovação automática e vamos pré-autorizar a aprovação.” Com a automatização, explicou, há vantagens como, no pedido, já saber o fluxo e o quanto vai ser pago. O sistema é inteligente a aponto de oferecer somente o que está pré-pactuado.

Souza Ramos destacou que empresas de até R$ 3,6 milhões de faturamento anual não precisam de certidão negativa – “não estar no Cadin já ajuda”. O BNDES tem acesso ao Cadin e já faz a liberação, garantindo a operação. Então, ao fazer o pedido, o pretendente já sabe que pode pegar o crédito. Caso haja restrição, o empreendedor é avisado pelo BNDES.

No novo sistema, ainda não amplamente divulgado, somente 15% dos pedidos não foram aprovados – contra a estimativa feita por bancos comerciais de 50% de negativas, afirmou.

Segundo Souza Ramos, o BNDES vai colocar financiamento para exportação no canal. Como há grande número de pedidos para valor muito baixo, o direcionamento para microcrédito será a primeira opção. Também vai melhorar a interface com os agentes financeiros. “Queremos tirar dos bancos a desculpa de que o empresário não é do seu perfil.” Há mais transparência nas operações, que podem ser acompanhadas pelo aplicativo de celular para PMEs, explicou.

Há várias outras medidas de desburocratização já tomadas, em trabalho feito junto com a Febraban. Segundo Souza Ramos, até junho o BNDES não conhecia o universo de PME – basicamente porque ele não chegava diretamente ao banco. Para mudar esse panorama, o BNDES lançou o Canal do Desenvolvedor, para relacionamento direto desse segmento com o banco. “Queremos melhor entendimento sobre ele.” Souza Ramos enfatizou a importância do contato dos empreendedores com o BNDES. “Precisamos de informações”, para poder tratá-las e resolver problemas, disse.

O BNDES de alguma forma tem que atingir o pequeno e médio empresário. A diversificação, com crédito pulverizado, reduz o risco.

Por meio dos canais digitais, com big data e algoritmos de análise, o BNDES pode começar a correr o risco direto. “Olhando os spreads bancários enormes”, disse, “a pergunta é: por que o BNDES não cobra menos e chega a esse mercado?”

“A sociedade cada vez mais cobra mudanças estruturais. Não aceita mais taxas altas”, disse o diretor do BNDES. E uma taxa estruturalmente baixa vai puxar para baixo as taxas do crédito no médio prazo, explicou, afirmando também que os bancos terão que conceder crédito, para ter a rentabilidade esperada por seus acionistas.

“Sempre tivemos problemas com repasses”, disse o diretor do  banco. “O BNDES repassa recursos para potenciais concorrentes”, lembrou. Há um problema adicional atualmente, em razão da atual crise, devido ao risco de crédito –que, afirmou, “aumentou de fato”. Segundo Souza Ramos, o banco está se preparando para lidar com isso. “No momento em que a economia bombar, sei que isso vai funcionar muito bem. E se houver outra crise, o BNDES vai estar mais preparado.”

Rumo ao futuro

Claudio Miquelin, diretor do Departamento da Micro, Pequena e Média Indústria da Fiesp, ressaltou que na sala de crédito montada paralelamente ao seminário estavam os bancos realmente comprometidos com o crédito à indústria. “É muito importante que todos olhem para o espelho”, disse Miquelin, para entender eventuais negações ao crédito. “O não pode ser muito bom, para você poder mudar.”

Ricardo José de Almeida, professor da Fundação Instituto de Administração (FIA), falou sobre ações gerenciais, dividindo sua apresentação entre as que não dependem e as que dependem da conjuntura econômica.

A otimização de capital de giro e do estoque e a alteração do prazo de pagamento aos fornecedores são ações gerenciais que não dependem da conjuntura econômica.

Outras ações dependem da conjuntura econômica, atreladas a uma não tão fácil antecipação do comportamento da demanda. As empresas não conseguem, no Brasil, se antecipar, disse. É preciso ter argumentos para mostrar para o banco que a falta de caixa será compensada com a concretização do aumento de vendas. Para isso é importante ter o orçamento bem feito, frisou.

Quando as vendas forem cair, é preciso ter a coragem de alterar a reposição de estoques.

A terceira ação dependente de conjuntura é comunicar as expectativas aos bancos. Quanto os custos forem aumentar também é preciso ter bons argumentos.

Almeida recomenda, quando houver sobras de caixa, não torrar o dinheiro. E tomar ações para que os bancos considerem o orçamento como base para o crédito.

A professora Dariane Fraga Castanheira, também da Fundação Instituto de Administração (FIA), fez apresentação concentrada na demonstração da capacidade da empresa de gerar valor. É preciso saber se a empresa vai gerar caixa nos próximos anos. Haverá dinheiro para os pagamentos? E os lucros? Defendeu o planejamento financeiro de longo prazo.

Nas planilhas de controle, destacou a necessidade de descontar do lucro líquido o investimento feito e as amortizações. “Proponho que os senhores vejam os números de suas empresas para os próximos três anos. É isso que os bancos querem ver.” Até os funcionários querem saber isso, iniciativa que ajuda a mostrar que a empresa vai gerar valor e vai ter futuro.

“Quanto mais a gente põe os números no papel, ou no excel, mais fácil é enxergar o caminho, seja a receita ou o lucro”, explicou. É importante fazer esse exercício, para os próximos três anos: qual vai ser a receita, o que fazer, quais serão os custos, e as despesas necessárias para vender?

É muito importante saber quanto a empresa vai gerar de caixa nos próximos anos, disse Castanheira. É daí que sairá o lucro do empreendedor, e é isso que será considerado por um potencial investidor. O passado é muito importante, por dar uma linha de tendência, mas é preciso mostrar a geração futura, sabendo quais serão as estratégias e ações para isso.

Também é importante levar para o futuro o balanço patrimonial, a partir de ações de caixa e outras. Há muito que se fazer em cada linha do planejamento financeiro. Mostrar para o banco o valor da empresa é importante na hora de discutir condições de crédito.

Além de planejar, é preciso controlar o funcionamento ao longo do tempo. “Tome as rédeas da sua empresa”, recomendou.

A professora explicou que fez em 249 empresas levantamento que mostra que a formalização integral – societária, gerencial e fiscal – dá às empresas maior expectativa de vida e melhor desempenho financeiro. “Precisa de um mínimo de planejamento”, não importa o tipo e tamanho do negócio, afirmou.

Em resumo, listou sete pontos a considerar:
  • Defina a missão da empresa;
  • Estabeleça os objetivos;
  • Mapeie a situação financeira;
  • Defina ações para ganhar o jogo;
  • Elabore o plano financeiro de longo prazo;
  • Estabeleça metas mensais;
  • Mantenha o controle: apure o resultado mensal e tome as rédeas.

“Precisamos fazer a lição de casa, que é muito difícil no dia a dia”, disse o moderador do painel, Vicente Manzione, diretor do Departamento da Micro, Pequena e Média Indústria da Fiesp, “Precisamos voltar a crescer.”

Por Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

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