13/08 - Contabilidade na TV

Muito se tem escrito e ouve falar sobre conselhos de administração, diversidade de membros inclusive independentes, planejamento estratégico, rotina de registro de deliberações, secretarias de conselho, diretorias de compliance, códigos de conduta, direitos de minoritários, auditoria externa, etc. Mas, quando olhamos para os acontecimentos envolvendo JHS, Odebrecht, OAS, Petrobrás e tantos outros verificamos que existe localmente um abismo entre a essência e a realidade da governança. Os processos de delação e as investigações da Lava Jato nos mostram desvios de ética e de conduta praticados individualmente por acionistas – sendo antiéticos e ilegais, prejudicando outros sócios, conselheiros, executivos, funcionários e toda a sociedade – por conselheiros – não cumprindo com seu dever de diligência, tornando-se parciais, coniventes com desvios e erros, derretendo o valor de companhias – e executivos burlando ou desobedecendo políticas, normas, leis. A verdade é que falta de ética, de compliance, de correção é de pessoas, sendo inócuo balanços, auditorias, diretorias de controle quando entre os acionistas, conselheiros e executivos temos desvios de conduta e comportamento derivados por perfil pessoal ou simplesmente por ausência de valores e princípios individuais.

A correção ou pelo menos a minimização da probabilidade disso deve ser feita pelo assessment do perfil pessoal de Conselheiros e Executivos, em processo profissional e tecnicamente conduzido capaz de detectar potencial de desvio de conduta e mesmo de caráter. Com referência às pessoas dos sócios, isto obviamente é impraticável, assim como é ridículo ficar discutindo se os 2esleys, Marcelo, Leo, etc. deveriam abdicar de presidências, conselhos, posições de mando. Na realidade, em paralelo às punições judiciais que lhes cabem, deveriam ser obrigados a fechar o capital de suas empresas ou vende-las integralmente, já que ninguém merece ser sócio ou depender de controladores mau caráter, sem ética, valores e princípios. Compliance tem a ver com legalidade, enquanto ética tem a ver com moralidade.

*Telmo Schoeler é fundador e presidente da Orchestra Soluções Empresariais e da Strategos – Consultoria Empresarial

Por Compliance Comunicação

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